A perda de alguém querido sempre é muito difícil. Quando essa perda é significativa para a criança pode ser ainda mais complicado, pois na sua pequena idade não tem subsídios psíquicos para expressar claramente sua dor.

Mudanças de comportamento como agressividade ou o oposto são comuns como uma maior introspecção. Compreender que a criança está tentando dizer algo, falar com seu corpo, seus gestos, saber ouvir o que não está sendo dito, é fundamental para a criança neste processo de elaborar a perda. Da mesma forma a criança em outros momentos pode brincar parecendo que está superando a perda, no entanto, a preocupação deve existir quando a criança começa a ter prejuízos nos aspectos individuais e sociais. Nós adultos sejamos pais ou profissionais da educação precisamos ficar atentos para oportunizar espaços de escuta e acolhimento.

Enquanto adultos muitas vezes queremos parecer fortes diante da morte e não demonstramos nossa fragilidade com a intenção de apoiar a criança, essa segurança é importante. Porém, mostrar que estamos sofrendo em alguns momentos, chorar, expressar a saudade pode ser um grande ensinamento, a dor nos torna humanos, e supera-la nos faz resilientes.

Quando na ânsia de transmitir segurança para os pequenos, tentando esconder nossos sentimentos, podemos passar uma mensagem que o sentimento de tristeza da criança é inadequado e o que precisa ser vivido poderá ser reprimido. Compartilhar com a criança a saudade, lembranças e afetos pelo ente que se foi pode ser benéfico e reconfortante para ambos.

O adulto enquanto ser responsável pela criança, mesmo estando no processo de luto, precisa continuar trabalhando e tendo outros projetos. No entanto, muitas vezes a perda pessoal é tão impactante que repercute na sua vida laboral, na qualidade das suas relações familiares e, dessa forma se faz necessário refletir sobre como está vivendo, se está precisando de ajuda para lidar com a perda, se está conseguindo SER na relação com a criança.

Essa reflexão é de suma importância para que possa ressignificar seu papel dentro da família e contribuir para que a criança tenha um olhar positivo para a vida. Refazer-se após uma grande perda é doloroso, pode ser demorado, mas é possível. Fazer planos, investir energia nas relações de amizades, transmitir carinho para outras pessoas, um animal de estimação, dedicar-se a um hobby, compartilhar com outras pessoas seus momentos de tristeza, podem acalentar e ser um bálsamo em meio a dor.

O luto tem suas fases que devem ser respeitadas, entre elas estão: a tristeza, a raiva e negação; possibilitar sua expressão é primordial para superação, entendendo que o processo será vivenciado e superado. Nós adultos somos referência, a forma como vivenciamos nosso luto será de grande aprendizado para os pequenos.

Texto criado por Fabiana Santos, psicóloga do SOEP da Educação Infantil e Ensino Fundamental 1 (unidade Caruaru)

6 respostas
    • Carol says:

      Olá, José! Tudo bem? Ficamos felizes por ter gostado do nosso conteúdo. Continue nos acompanhando. Agradecemos pelo contato!

      Responder
  1. Rodrigues says:

    A vida não é um tempo para possuí, é um tempo para amar. Mostre a seu filho, mesmo nas perdas, as dores sempre fortalecerá a importância do puro amor.

    Ótimo artigo, muito boa essa reflexão. Parabéns!!!

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    • Carol says:

      Olá, Rodrigues! Tudo bem? Suas palavras são sábias. Ficamos felizes por ter gostado do nosso conteúdo. Continue nos acompanhando! Agradecemos pelo contato!

      Responder

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