Bullying é coisa séria!

Comportamentos agressivos, discriminatórios, que causam aversão. São algumas das características da prática de Bullying. Um empurrão inesperado e que se repete. Um xingamento ao entrar em um ambiente, uma risada fora de hora, um apelido humilhante, uma postagem desagradável nas redes sociais. Todos esses são exemplos de Bullying. Nos últimos anos, o termo se tornou bastante popular devido a criminalização da prática. Com isso, o combate se tornou mais forte dentro e fora das escolas. Tudo para minimizar os danos psicológicos gerados pela prática. O fato é que as pessoas passaram a se dar conta de que, determinadas “brincadeiras” podem causar sérios danos ao psicológico das pessoas, acarretando graves problemas.

E não é porque as crianças estão assistindo aulas de casa, sozinhas, que o bullying deixa de existir.

O Cyberbullying ou bullying virtual é uma prática que envolve o uso de tecnologias de informação e comunicação para dar apoio a comportamentos hostis praticados por um indivíduo ou grupo com a intenção de prejudicar o outro. Esta é uma prática que tem crescido e que precisa de uma atenção maior dos pais neste momento de pandemia e isolamento social.

O bullying na internet confere um certo nível de anonimato ao autor já que tudo acontece de maneira virtual. Fazendo uso de codinomes, perfis ou páginas falsas, os provocadores agem com maior audácia. Isso faz com que as provocações e ofensas sejam mais cruéis do que quando o bullying acontece de forma presencial. É por isso que, nestes casos, as denúncias precisam ser realizadas junto com policiais, que podem identificar os computadores ou aparelhos tecnológicos de onde saíram os ataques.

No mundo presencial ou no digital, o bullying causa diversos danos psicológicos à vítima. Alguns desses problemas são: falta de interesse pela escola, depressão, anorexia, bulimia, transtorno do pânico, ansiedade, fobia social, entre outros. Além disso, o bullying pode agravar doenças e distúrbios pré-existentes, devido ao prolongamento de estresse a que a vítima é submetida, podendo causar piora ainda em quadros esquizofrenia e outras doenças psiquiátricas.

Isso não quer dizer que aquele que sofre o bullying terá todos esses sintomas de uma só vez. As consequências do bullying podem ser diferentes para cada pessoa, pois dependem de diversos fatores relacionados à vítima, como estrutura psicológica e familiar, vivências e predisposição genética, podendo variar também de acordo com o tipo e intensidade das agressões sofridas. São esses os sinais que os adultos precisam estar atentos, em todos os momentos, para identificar que a criança está sofrendo algum tipo de agressão. Estar próximo das crianças e jovens é a melhor alternativa e a principal forma de combate.

No ambiente escolar, o cuidado é redobrado. Isso porque, na escola, os tipos de bullying podem se misturar. É por isso que é preciso estar atento aos sinais que os alunos oferecem. O corpo docente e pedagógico são treinados para acompanhar o comportamento dos alunos e identificar possíveis casos.

Trabalhamos esse tema o ano inteiro, porque essas são ações que podem surgir a qualquer momento. Então, é preciso trabalhar no aluno a consciência sobre aquele ato, sobre o respeito ao próximo e às diferenças”, afirma o supervisor pedagógico do Colégio GGE, José Veiga de Lira Neto.

De acordo com a psicóloga do GGE Paissandu, Emanuela Freire, geralmente, para se identificar se alguém está sofrendo bullying, além da observação, há o trabalho de ensino dos sentimentos aos alunos, para que eles entendam o que está se passando.

Quando a criança sofre bullying, muitas vezes, ela tem medo ou receio de contar para os responsáveis ou para a equipe da escola, com medo que o agressor pratique mais violência contra ela. Desse modo, nós instruímos os colegas para observarem uns aos outros e contamos também com a colaboração dos alunos para relatarem o que veem de violência de um colega contra o outro”, explica.

Um dos papéis chaves na prevenção ao bullying por parte do corpo escolar, independente se a aula é presencial ou online, diz respeito à observação do contexto relacional, afetivo e dinâmico dos alunos, visto que no dia a dia, algumas formas de expressão verbal e não verbal na interação com o outro pode mostrar o funcionamento de um grupo, bem como atitudes individuais que porventura caracterizem formas de bullying.

O professor pode transmitir aos alunos a importância do respeito, amizade e companheirismo, passando para eles que podem mudar esta realidade através da união e não da exclusão. As estratégias devem seguir mostrando que cada um tem algo a acrescentar naquele grupo de estudos e convivência, bem como que as diferenças existem e são boas para os grupos”, orienta a psicóloga do Ensino Fundamental do GGE Benfica, Liliane Nascimento.

Os atores escolares podem ainda gerar ações que reflitam na empatia, no cuidado com o outro e na própria resiliência.

Uma das questões importantes é poder identificar se houve alguma mudança no comportamento do estudante, considerando sua participação nas atividades da escola. Muitas vezes, alguns sinais podem ser demonstrados em forma de retraimento, vergonha ou pode também refletir em formas de agressividade, raiva, dentre outros sentimentos. É sempre importante entender que mudanças estão sendo atravessadas na vida dos alunos”, ressalta a psicóloga do Ensino Médio do GGE Boa Viagem, Thaís Oliveira.

Além da atenção com as “brincadeiras” que estão acontecendo até mesmo no mundo virtual, é preciso estar atento ao contexto em que o aluno está inserido.

Muitas vezes, a prática não gera um entendimento direto que tais comportamentos estão causando sofrimento na vida de alguém. Há casos ainda em que alguém que já vivenciou algum quadro de sofrimento devido ao bullying pode inverter os papéis, ou estar passando por algum quadro de desorganização pessoal, social ou familiar, se tornando o “agressor”. Outro motivo é quando um conflito de ordem pessoal com alguém pode desencadear conflitos interpessoais, reverberando em discórdias que levam para uma situação de “atingir o conflito”, a qual reflete diretamente para a existência de uma vítima.

O importante é desconstruir com os alunos a forma que os mesmos estão entendendo brincadeiras realizadas com seus pares. Nesse sentido, o desenvolvimento de ações ligadas à empatia, respeito, cuidado e proteção são cruciais para o contexto escolar. Vivemos em um mundo de relações líquidas e superficiais, onde precisamos cada vez mais mostrar o quanto segurar a mão do outro pode fazer diferença na vida de alguém”, enfatiza Thaís Oliveira.

O GGE promove todos os anos o projeto “GGE contra o Bullying”, com a realização de ações de orientação e combate desta prática, desenvolvidas pelo Serviço de Orientação Educacional e Psicológica (SOEP), em parceria com a coordenação pedagógica e todo o corpo docente.

Durante o projeto, são promovidos momentos de leitura, dinâmicas, reflexão e discussão sobre o assunto, com o objetivo de promover o respeito, a empatia e a convivência entre os alunos. Além disso, há a interação com professores e família para profissionais especializados (psicólogos, psiquiatras, etc.).

Também temos inserido nas séries do Ensino Fundamental 1 uma disciplina chamada Alfabetização Emocional. Nas demais, temos o trabalho socioemocional de valores que são tratados o ano todo. Além disso, é importante destacar que cada fase que o estudante passa tem uma psicóloga disponível todos os dias da semana para os alunos e família”, detalha a psicóloga da unidade GGE Paissandu, Emanuela Freire.

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