Carnaval 2021: Pernambuco sem festa, mas com muita história pra contar

O Carnaval deste ano foi cancelado. Com a pandemia da Covid-19, que exige distanciamento social, não haverá encontros de bonecos em Olinda, nem o desfile de blocos tradicionais, como o Homem da Meia Noite, nem os já consagrados shows no Marco Zero. Até mesmo os papangus de Bezerros deixaram para ganhar as ruas apenas em 2022. Tudo para evitar aglomerações. Mas, independentemente da festa de rua, o período nos remete a diversas manifestações culturais seculares como Frevo, Maracatu e Caboclinhos. Termos que não deixam nunca de circular em Pernambuco.

Pernambuco tem Frevo, Maracatu, Caboclinhos e muito mais

O Carnaval faz parte do nosso cotidiano e muitos não têm ideia de como surgiu. É uma festa que tem relação com a Quaresma, período em que a Igreja Católica prepara o cristão para receber a ressurreição de Cristo”, afirma o professor de História do Colégio GGE, Robson Santana. Segundo ele, durante o Brasil Império, foi muito comum a festividade de Entrudo, por influência dos portugueses da Ilha da Madeira, Açores e Cabo Verde.

Neste período, a festa era o momento onde as pessoas se melavam, misturavam café e outros corantes e jogavam umas nas outras tomando as ruas. O Carnaval de Pernambuco herdou muito disso. Em seguida, surgiram as batalhas de confetes e serpentinas e, num segundo momento, os bailes de Carnaval.

“Essa é uma festa muito ligada aos movimentos de resistência. Existe uma questão política e social muito forte. Isso porque na Inglaterra, por exemplo, quando o Absolutismo foi derrubado, foi implantada uma República inspirada no Puritanismo, sendo abolido todo tipo de festa, inclusive o Natal. Aqui no Brasil houve várias proibições, mas sempre com movimentos paralelos que foram crescendo e dando origem a novas festas, contextualiza o professor.

Foliões fantasiados festejam Carnaval em Recife. Foto: Divulgação/Museu da Cidade, acervo década 40/50
Carnaval de Olinda antigamente. Foto: Passarinho/Prefeitura de Olinda

O Carnaval pernambucano tem uma forte influência da capoeira, por exemplo. “As pessoas iam para as ruas lutar [jogar] capoeira e eram proibidas, já que as lutas eram consideradas crimes. E, de manifestações como essa, surgiu a conhecida festa de rua que vemos hoje”, ressalta Robson Santana.

De acordo com o professor de História, Filipe Domingues, para entender o Carnaval pernambucano basta buscar informações sobre as diversas referências estaduais do período. “O Homem da Meia Noite, por exemplo, é uma entidade religiosa de matriz africana. É uma entidade que puxa os bonecos gigantes, que se tornaram referência na folia de Olinda. O Frevo é derivante da capoeira. E assim seguimos com diversos pontos da nossa festa”, explica.

Dê play para conhecer a história dos bonecos gigantes de Olinda e o Homem da Meia Noite

De acordo com o professor, além do Frevo, o Maracatu e os Caboclinhos remontam às raízes africanas e indígenas com todos os seus tambores, apitos e cultos, que compõem a identidade do Carnaval pernambucano, tornando-o multicultural. “Essa é mais uma marca da festa do nosso Estado. Pode estar tudo parado, mas se tocar um frevo raiz ou um Ananauê todos já se levantam e seguem atrás do bloco. Então, temos um Carnaval muito plural e democrático, afirma.

Ritmos e personagens importantes do Carnaval pernambucano

  • Frevo

    Uma das principais referências do Carnaval pernambucano. É um estilo de dança que surgiu como um ritmo carnavalesco. Originalmente, o Frevo não tinha letra, era apenas instrumental e sua dança uma mistura de passos de ballet, capoeira e cossacos. Mas, em seguida, surgiram os frevos cantados, que já possuem diversas letras que estão na ponta da língua dos foliões.

  • Maracatu

    Tem origem negra e religiosa. Os escravos elegiam os reis do Congo, que eram coroados nas igrejas, em que depois faziam um batuque em homenagem à padroeira. Em seguida, esse grupo convergiu para o Carnaval e conservou elementos próprios, diferentes dos blocos carnavalescos. O Maracatu tem sempre um rei e rainha, príncipes, embaixadores, dançarinas e indígenas, que seguem o ritmo dos tambores.

  • Caboclinho

    Dança folclórica tem relação com o culto da Jurema, árvore que produz um chá considerado sagrado pelos caboclos. A dança é forte e rápida, exigindo destreza dos participantes.

  • Papangus

    Símbolo do Carnaval de Bezerros, nasceu de uma brincadeira entre familiares dos senhores de engenho, que saiam mascarados, mal vestidos, para visitar amigos nas festas de entrudo e comiam angu, comida típica do Nordeste. Em Bezerros, a cultura do papangu é vivenciada durante o ano inteiro, através das oficinas de máscaras, da culinária desenvolvida com variados pratos feitos com angu, além das oficinas de dança e música carnavalesca.

  • Galo da Madrugada

    O Galo da Madrugada surgiu em 1978 com o único propósito de resgatar o frevo de rua. Sai todos os anos no sábado de Carnaval e, em 1984, entrou para o Guinness Book, livro dos recordes, como o maior bloco de rua do mundo.

  • Homem da Meia Noite

    Tradicional bloco carnavalesco da cidade de Olinda, teve início em 1931. A criação do clube aconteceu devido a divergências entre os diretores do tradicional Cariri de Olinda, quando seis desses homens saíram da liderança e fundaram o Homem da Meia Noite.

Frevo, Maracatu, Coco e Samba: Conheça os ritmos e seus instrumentos musicais

Gostou de aprender um pouco mais sobre a história do Carnaval de Pernambuco? Legal, né? 🙂
Desejamos a todos um excelente Carnaval 2021, com alegria e segurança!

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