Educação Financeira na escola

No passado, a maioria das escolas abordava nas aulas de matemática somente os assuntos que são pré-requisitos para disciplina, como, por exemplo, porcentagem, juros simples, proporções e, no Ensino Médio, juros compostos. A partir de agora, é preciso ir além. A chamada educação financeira integra a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em vigor a partir deste ano para a Educação Infantil e Ensino Fundamental. A educação financeira agora faz parte da vida dos alunos.

Sendo assim, o lidar consciente com o dinheiro passa a ter protagonismo na rotina. Muito mais do que a discussão sobre juros, porcentagens e expressões numéricas, as crianças também devem ser introduzidas a temas como taxas de juros, inflação, aplicações financeiras e impostos. E, dentro do universo infantil, os professores e os pais passam também a tratar sobre consumo, economia e as relações do dinheiro com o cotidiano familiar.

Quando começar

A partir de agora, o tema começa a ser abordado desde a Educação Infantil. Mesmo que de forma lúdica, com apresentação de práticas cotidianas, ensinando as crianças a economizar energia, o tema começa a ser introduzido na rotina dos pequenos. Em casa, não existe uma idade certa para que o tema seja abordado. Via de regra, a partir do momento que a criança aprende a comparar números, é interessante sinalizar que uma aplicação bastante útil desse conhecimento é no melhor gasto do dinheiro. De um modo geral – e independente da faixa etária ou do ambiente – a educação financeira deve ser vista como uma exímia ferramenta à qual se pode recorrer quando se tem algum sonho em mente que depende de recursos financeiros.

A criança aprende mais com a experiência do que com a teoria e, por isso, sugere-se que haja sempre um adulto por perto para conduzi-la às interpretações necessárias para chegar às conclusões desejadas”, afirma Hugo Oliveira, professor de matemática do GGE.

Por isso, permitir à criança participar, mesmo que passivamente, das decisões da casa, faz com que ela enxergue tudo que constitui uma casa, financeiramente falando.

Quando ela vê o cuidado que seus responsáveis têm com os gastos, alimentando planilhas de controle de gastos, tentando prever o que vai acontecer e se adiantando com possíveis soluções, como reservas financeiras, quando algum imprevisto acontece e a família estava preparada para lidar com isso por causa de um planejamento familiar cuidadoso, a criança vê a utilidade da educação financeira”,

exemplifica o professor.

Independente do ambiente em que se encontram, as crianças também podem ser apresentadas de forma lúdica ao funcionamento do sistema monetário. “Hoje, as crianças têm muito acesso ao dinheiro e ao uso do cartão. Vemos, por exemplo, que muitas têm conta na cantina da escola. Elas conseguem desde cedo mensurar quanto falta de troco, quanto ainda tem de crédito, quanto precisa ser completado para adquirir determinado item. Então, o que precisamos trabalhar desde cedo é o consumo consciente. Para o investimento. Não é simplesmente dizer que o sistema monetário existe. É explicar o funcionamento do sistema, o que significa e o poder disso”, explica a gestora pedagógica da unidade GGE Boa Viagem, Nayana de Paiva.

Além das atividades de matemática, os pequenos passam a ser estimuladas desde cedo com temas que envolvem o a regulação do consumo e o empreendedorismo. “As crianças, principalmente as mais novas, precisam ser estimuladas de forma criativa. É trazer o lúdico e associar a ações cotidianas. Um exemplo de atividade neste sentido é a simulação de um supermercado. Uma parte das crianças compra e a outra vende. Assim, de um lado eles entendem a economizar e a comprar apenas o necessário, e, do outro, passam a ter noção do funcionamento de um negócio e a ter margem de lucro, por exemplo”, pontua Nayana.

As crianças que já estão no Ensino Fundamental, por exemplo, já começam a participar de atividades que manipulem cálculos com porcentagens, proporções e até juros simples. E, em casa, há diversas situações no cotidiano familiar que utilizam desses conceitos e que os responsáveis podem fazer uso. “Um exemplo bem prático é quando se pretende comprar algo pela internet e a criança pode fazer uma pesquisa de mercado analisando em qual empresa é mais vantajoso comprar, pois há diversas empresas que concedem descontos percentuais para pagamentos via boleto. A criança pode calcular exatamente o valor final do produto e decidir melhor onde comprar”, orienta o professor Hugo Oliveira.

Mesada vale a pena?

A adoção da mesada é uma decisão da família e deve levar em conta a situação financeira e a maturidade da criança para lidar com o dinheiro. Ao decidir dar uma mesada aos filhos, os pais precisam estabelecer entre eles qual será o valor ofertado tendo como base a realidade financeira da família. Crianças mais novas não têm tanta noção de grandes valores e, por isso, não faz sentido dar uma mesada de R$ 50, por exemplo. Além disso, o que talvez seja o mais importante é o estabelecimento de qual o destino que a criança poderá dar àquele valor que está sendo economizado.

Uma criança de 6 anos vai querer comprar cartas Pokemon, enquanto uma criança de 8 anos vai querer comprar um pacote de Minecraft no videogame. Para que essas compras não ocorram de maneira desenfreada, é interessante repassar à criança a responsabilidade de cuidar bem de sua mesada para conseguir o que se quer, inclusive, com planejamentos a médio prazo”, explica Hugo Oliveira.

De acordo com Nayana de Paiva, ao estabelecerem o pagamento da mesada, os pais devem sempre monitorar o uso do dinheiro.

Tem que fazer a gestão. Entender que se comprar determinado item passará tanto tempo para juntar novamente o valor. Muitos pais também estipulam valores a serem gastos na cantina das escolas. Assim, o filho precisa ser orientado de que se gastar tudo em um dia passará todo o resto da semana sem ter de onde tirar. É importante que tenha a conscientização e não simplesmente o material”, alerta.

Introdução aos investimentos

Não é apenas o ato do economizar e pagar que precisa fazer parte da rotina da criança. Aos poucos, as formas de investimento precisam ser inseridas no cotidiano. Para tanto, antes de tudo, deve-se levar em conta que a criança ainda é criança e, por isso, naturalmente imediatista. É de fato mais difícil para uma criança enxergar e aceitar a necessidade de poupar um determinado valor no ápice do entusiasmo de sua infância. Esta é, sem dúvidas, a missão dos adultos. E aí, mais uma vez, que os pais precisam dar os exemplos.

De pouco adianta ensinar a uma criança os diversos meios de como poupar e gerar verba no mercado financeiro se ela não conhece as consequências desse tipo de ação. A partir do momento que a criança vê um adulto tomar uma decisão e percebe que essa decisão trouxe determinados resultados, é natural que a criança queira reproduzir”,

ressalta Hugo Oliveira.

A introdução aos investimentos pode começar com o simples ato de abertura de uma poupança. Os pais podem abrir, junto com a criança, uma conta poupança no nome dela e acompanhar o progresso da conta, fazendo sempre a comparação com as previsões constatadas nos cálculos. Em um segundo momento, o valor guardado na poupança pode ser investido, mostrando que há meios mais lucrativos de fazer render o capital. Em todo esse processo deve-se sempre levar em conta que a criança aprende melhor com a experiência.

São práticas que podem ser realizadas a partir dos oito anos, quando o conhecimento da matemática já está um pouco mais avançado. Ao longo do período da aplicação, a criança vai obtendo novos conceitos matemáticos e vai acompanhando cada vez mais detalhes das transações”, explica o professor.

Conclusão

O principal benefício proporcionado pela educação financeira é o consumo consciente. Quando temos a ideia do quanto temos, revemos melhor o que é importante e o que é urgente, bem como sacrifícios que merecem ser feitos para conquistar algo maior lá na frente.  É essa a mensagem que precisa ser repassada dentro dos princípios da educação financeira. O tema é abrangente e inclui ainda economias cotidianas, como o apagar das luzes em ambientes claros. Práticas simples que geram grandes retornos.

São esses temas que a partir de agora passam a ser obrigatórios na grade curricular das escolas, mas que precisam ser acompanhados principalmente no ambiente familiar. Educação financeira passa a ser assunto prioritário e, assim como as demais matérias, precisa ser acompanhada e levada a sério.

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