Pais helicópteros criam filhos inseguros

Os chamados pais helicópteros são questionadores e superprotetores. Em todas as situações há sempre uma percebida perseguição aos filhos (tanto por parte de outros colegas quanto por parte dos professores) e há sempre uma necessidade de ajuda / justificativa contínua. “Se o filho está sempre atrasado o pai justifica: o horário da aula é muito cedo. Se o filho tira uma nota baixa, o pai diz: o professor não está ensinando direito”, exemplifica a gestora pedagógica da Educação Infantil e Ensino Fundamental 1 do GGE, Anabelle Veloso.

O principal reflexo dessas atitudes está no comportamento das crianças ou adolescentes. “Os filhos, normalmente, assumem uma postura de apatia diante das ocorrências, sejam positivas ou negativas. Não há importância sobre chegar cedo ou tarde se meus pais acham que o problema é da escola e não a minha forma de cumprir horários. Também não se preocupa com as notas, pois a culpa está sempre do outro lado. Então, não há senso de responsabilidade desenvolvido e, por isso, não há mudança”, enfatiza.

O caso se torna mais grave com o passar dos anos, pois, em sua maioria, os pais não identificam que estão superprotegendo os filhos. Nesse caso, um sinal de que a proteção está passando dos limites é o acompanhamento do histórico escolar e das reações da criança.

A escola é o local onde a criança não está grudada nos pais porque faz parte do processo de desenvolvimento infantil a autonomia e o cuidado com o corpo e os pertences. Quando a criança direciona para outra pessoa demandas da rotina pessoal que ela tem capacidade física e cognitiva para realizar sozinha, ou seja, quando diante de conflitos cotidianos voltados para o relacionamento com outras crianças ela paralisa ou não aceita opinião ou a escuta do outro, o sinal foi dado”, ressalta Liliane Nascimento, psicóloga do Ensino Fundamental do GGE Benfica.

O resultado é que esses pais superprotetores estão criando uma geração insegura, despreparada para os desafios da vida real e os reflexos podem ser sentidos no mercado de trabalho. Sem uma base, os jovens não sabem lidar com frustração e não possuem habilidades básicas para resolver questões simples de relacionamento. Ou seja, para os filhos, a superproteção gera uma dificuldade e dependência em lidar sozinhos com problemas. É que, normalmente, os pais superprotetores agem com insegurança e o medo, no qual acaba refletindo nos aspectos socioemocionais dos filhos, como, por exemplo, o retraimento, fragilidade emocional e ansiedade. Assim, elas acabam buscando sempre os pais para encontrarem as soluções sem antes tentarem experimentar suas próprias capacidades.

A grande dificuldade dessa consciência é em médio e longo prazo porque quando o pai diz que só ele resolve tudo, ele não vê que está deixando de fornecer um repertório de resolução de problema e que sozinha a criança não saberá resolver. Então, a criança acaba sofrendo mais”, ressalta a gestora pedagógica do GGE Boa Viagem, Nayana Paiva.

A falta de ensinamentos relacionados a atos e consequências impede o bom desenvolvimento da inteligência emocional desde a infância, formando adultos que não sabem aprender com os próprios erros e incapazes de resolver dificuldades com colegas e superiores.

Demonstramos apoio quando incentivamos as nossas crianças ao novo, mesmo que pareça difícil. Quando deixamos claro que estamos ao lado dela para ajudar e não para fazer por ela, pois fazer por ela é controlar suas vivências. Que atrás de toda dificuldade tem uma linda experiência de vida. Quando controlamos nossas crianças e tiramos a oportunidade de vivência delas, estamos criando adultos frágeis e imaturos para resolver problemas e conflitos no ambiente de trabalho, favorecendo para uma dificuldade em lidar com a perda, com o fracasso e com a frustração”, alerta Liliane Nascimento.

Os pais só conseguirão viver dentro do limite saudável da proteção quando aprenderem a observar os filhos na execução das tarefas e não assumirem o comando por eles. Deixá-los caírem, resolverem sozinhos os desafios. Estimulá-los a desenvolver neles a confiança, autoestima, competência e inteligência emocional para lidar com os desafios e dilemas da vida.

Transformar as crianças em adultos aptos significa girar menos em torno deles, tornando-os mais seguros para voar sozinhos e aprender a lidar com as dificuldades e perdas.

Dicas importantes para os pais:

  • De acordo com a faixa etária do filho, estipule algumas obrigações e cobre pelo resultado delas;

  • Caso as obrigações não sejam atingidas, faça com que ele perca, por algum tempo, alguma coisa que goste para que o senso de responsabilidade seja construído;

  • Incentive a criança/adolescente a fazer tentativas por conta própria, garantindo a construção do sentimento de competência;

  • Nunca busque culpados diante dos erros do seu filho. Se ele errou, ajude-o a corrigir. Apenas isso;

  • Ouça opinião de pessoas próximas a você (pais, irmãos, tios…), pessoas mais experientes, que possam lhe fazer enxergar com um olhar menos emocional e mais racional para as demandas do seu filho.

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4 respostas
    • Colégio GGE says:

      Olá, Velância! Tudo bem? Ficamos felizes por ter gostado e identificado-se com o nosso conteúdo! Continue acompanhando nos acompanhando que teremos mais novidades! Agradecemos pelo contato!

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