Qual idade ideal para falar sobre sexo e reprodução com crianças?

De onde vêm os bebês?”. É uma pergunta bastante frequente entre as crianças e temida pelos pais. Todos sabem que é de extrema importância conversar com os filhos sobre o assunto, permitindo que eles cresçam conhecendo o próprio corpo e aprendendo a se prevenir de abusos, mas, o tema ainda é um tabu para as famílias. E são perguntas como essa que pode ser o início da abordagem. A verdade é que não existe fórmula ou momento exato para tratar o tema. Cada criança tem um momento e uma curiosidade. Os pais precisam observar o interesse dos filhos, as curiosidades e as perguntas. É a partir desses questionamentos que o assunto pode começar a ser introduzido dentro do ambiente familiar.

 “As crianças ditarão o momento dessa conversa e a conversa deverá ser conduzida a partir daquilo que a criança traz. No entanto, o que é preciso destacar é a forma. A conversa não deve ser infantilizada, com fantasias e coisas inventadas como contos de fadas. A maturidade da criança precisa ser respeitada e o que ela perguntou deve ser respondido de forma simples, sem complicações e, ao final, deve ser perguntado: você entendeu? Pois essa será a porta de acesso para um maior aprofundamento do assunto, caso ela tenha necessidade de saber mais informações”, orienta a gestora pedagógica do Colégio GGE, Anabelle Veloso.

Para os que não querem esperar surgir alguma pergunta para iniciar a abordagem, o momento ideal pode ser após os 18 meses de idade, quando as crianças começam a descobrir o próprio corpo. Esta é a chamada fase anal, que vai até os três anos e é quando a criança começa a obter domínio dos esfíncteres anais e da bexiga, controlando a micção e a evacuação. É neste momento também que ela descobre que tem um órgão sexual. Por isso, este pode ser o ponto de partida para começar a falar sobre nossa anatomia. Porém, como dito acima, não existe uma idade certa e nem o momento ideal.

Sobre a abordagem do tema, existem várias maneiras e é muito importante que as crianças aprendam formas de proteger seu corpo e saber que ele não deve ser tocado por estranhos. Os livros infantis podem ser a forma mais assertiva de abordar o assunto de maneira simples, lúdica e podendo ser conduzida de acordo com o objetivo a ser alcançado. “Além disso, o assunto pode ser iniciado através de atividades comuns e de forma lúdica na hora do banho, da higiene sanitária, no momento de trocar a roupa… Tudo isso utilizando frases como: ‘só determinadas pessoas, como mamãe e papai, podem mexer no seu corpinho’. Sempre mostrando que o corpo é algo íntimo”, diz a psicóloga do Ensino Fundamental do Colégio GGE, Liliane Nascimento.

Para orientar as crianças sobre a segurança do próprio corpo, uma dica da gestora da Educação Infantil e Ensino Fundamental 1 da unidade GGE Boa Viagem, Nayana Paiva, é utilizar os joguinhos do semáforo, indicando quais partes não podem ser tocadas por outro adulto.

Assim como os pais ensinam ou formalizam a comunicação da criança quando ela quer pedir água, por exemplo, é necessário indicar que algumas partes do corpo não podem ser tocadas por outros adultos. Tudo isso como se estivesse ensinando a realizar uma atividade da rotina, sem supervalorizar o assunto, para que a assimilação ocorra de forma tranquila”, diz Nayana Paiva.

É importante ressaltar que essa abordagem deve ser realizada tanto para as meninas quanto para os meninos.

Cada vez mais se faz necessário tratar os gêneros com igualdade de atenção e orientação, os meninos, em muitos momentos, são estimulados, por exemplo, a brincar mostrando órgão genital e essa prática vai na contramão da educação sexual, na qual as crianças precisam ser orientadas acerca do respeito e cuidado para com a sua intimidade. “Os meninos requerem tanto cuidado e orientação quanto as meninas. As crianças de modo geral precisam da mesma orientação e monitoramento por serem vulneráveis física e emocionalmente, independente do gênero”, pontua Nayana.

De acordo com Liliane Nascimento, para os filhos maiores, os pais também podem utilizar o momento da transformação do corpo. “O que muda é a forma de falar e os exemplos que não são mais utilizados através das bonecas e brincadeiras, mas sim com um diálogo e vídeos voltados para a cultura e a faixa etária”, conta. Já para os adolescentes, a abordagem precisa ir além da orientação de segurança para com os adultos. Neste caso, é preciso falar sobre os cuidados com o próprio corpo, naturalizar a descoberta da sexualidade individualmente e falar sobre as consequências e responsabilidades que o ato sexual carrega.

De acordo com Nayana Paiva, a adolescência é um período muito desafiador, portanto os pais devem andar de mãos dadas com a transparência nas informações, independente do assunto.

Os jovens, de modo geral, têm fácil acesso à informação, mas somente os pais vão saber conduzir esse conhecimento de acordo com os valores familiares, a religião ou as crenças daquele núcleo que o adolescente faz parte. Por isso, o mais importante é manter um diálogo sobre o assunto. Deixar esse canal de comunicação aberto, para que os amigos ou o Google não sejam mais atrativos que uma conversa com os pais”, afirma Nayana Paiva.

A gestora pedagógica do Colégio GGE, Anabelle Veloso, reforça que a escola está disponível para ajudar os pais a encontrar a melhor forma de conversar com os filhos sobre o assunto.

Muitas vezes, os pais chegam aflitos porque não souberam como responder seus filhos diante de perguntas sobre sexualidade e querem saber que respostas devem dar. Em atendimentos de orientação, temos a oportunidade de apresentar diversas respostas que podem ser dadas às crianças de forma natural e tranquila. Por isso, é muito importante que a família compartilhe com a escola qualquer tipo de aflição para que possamos ajudá-los com orientações adequadas de nossos profissionais”, ressalta.

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